Negociações da Campanha Nacional 2026: Movimento sindical cobra concursos e valorização no Banco do Brasil
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09/07/2026 :» Wigner da Silva de Oliveira :» Nacionais
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A Comissão de Empresa das Funcionárias e dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) esteve em mesa de negociação com a direção do banco nesta quarta-feira (8), dando início às tratativas para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do BB, no âmbito da Campanha Nacional 2026.
O tema central do encontro foi a garantia do emprego. A coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, ressaltou que o banco precisa direcionar seu foco para os trabalhadores, para o atendimento de qualidade aos clientes e para o fortalecimento de sua função pública.
"O papel do banco público não é ser uma instituição meramente de mercado, que busca apenas o lucro. Ele deve estar presente em todas as regiões, estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crédito e reduzir as desigualdades", afirmou.
A representação sindical alertou para um movimento de mudanças estruturais que vêm descaracterizando a essência pública do BB. Atualmente, observa-se agências com número reduzido de funcionários, fusão de prefixos e transformação de unidades em lojas. Paralelamente, cresce a contratação de correspondentes bancários, que passam a atender clientes que poderiam ser assistidos diretamente pelos empregados do banco.
Concurso público é prioridade
Diante desse cenário, a categoria reforçou a necessidade de realização de novos concursos públicos, visando assegurar atendimento presencial de qualidade e proteger a saúde mental dos trabalhadores.
"Os colegas estão sobrecarregados, submetidos a metas cada vez mais altas. Dados do INSS mostram que escriturários e gerentes estão entre as categorias que mais se afastam do trabalho por transtornos mentais relacionados à atividade profissional", destacou Maria Aparecida da Silva (Cida), representante da FEEB SP/MS.
A CEBB também registrou relatos de clientes que aguardam mais de uma hora em filas, devido à insuficiência de funcionários. A recomposição do quadro por meio de concurso público foi apontada como solução para garantir atendimento em todas as regiões, especialmente nas menos assistidas.
Direitos para bancos incorporados
Os trabalhadores cobraram avanços para os empregados de bancos incorporados pelo BB, como BNC, Besc e BEP, para que tenham os mesmos direitos previdenciários (Previ) e de saúde (Cassi) que os demais funcionários. Fernanda Lopes reconheceu a complexidade do processo, mas defendeu que a solução é viável e precisa ocorrer com urgência.
Segurança nas agências
As mudanças estruturais também impactaram a segurança. Portas giratórias e vigilantes foram retirados de muitas unidades, expondo funcionários e clientes a riscos.
"Defendemos a manutenção desses equipamentos em todos os tipos de unidade. Mesmo onde não há numerário, os trabalhadores estão vulneráveis à violência", afirmou Fernanda Lopes. Ela acrescentou que a porta giratória reduz significativamente abordagens criminosas e a vigilância ajuda a conter episódios de agressão de clientes contra funcionários.
Escala 4x3
Os representantes dos trabalhadores defenderam a escala 5x2 para todos e apontaram que há espaço para avançar à escala 4x3 (quatro dias trabalhados e três de descanso), respeitando a jornada de seis horas diárias.
"A redução da jornada traz aumento de produtividade e impactos positivos à saúde mental", afirmou Rodrigo Britto, presidente da Fetec-CUT/CN. Fernanda Lopes complementou que as novas tecnologias permitem a implantação da escala sem prejuízo ao atendimento.
Incorporação de comissões e desvio de funções
Os sindicatos também reivindicaram a incorporação gradual das comissões, com percentual de 10% ao ano até atingir 100%, garantindo estabilidade financeira mesmo após a perda de cargo de confiança. Além disso, denunciaram acúmulo e desvio de funções, como gerentes que acumulam atividades administrativas e escriturários que operam caixas sem receber o adicional correspondente. O banco se comprometeu a apurar os casos.
PCDs e reembolso de conselhos profissionais
Outra pauta foi o fim do limite de idade para faltas de funcionários com filhos PCDs, atualmente restrito a 14 anos. A reivindicação inclui jornada reduzida para quem tem dependentes com deficiência. Também foi pedido o reembolso integral das anuidades de conselhos profissionais como OAB, CREA e CRM.
Próximas rodadas
As negociações seguem com novas rodadas nos dias 17 de julho (igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento), 23 de julho (saúde e condições de trabalho) e 31 de julho (remuneração e cláusulas econômicas).
Manifesto em defesa do BB público
Antes das reivindicações, a CEBB entregou à direção do banco um manifesto em defesa do Banco do Brasil como instituição pública e essencial ao desenvolvimento do país. O documento defende um banco que vá além do lucro, atuando como indutor do crescimento, com crédito acessível à agricultura familiar, micro e pequenos empreendedores, indústria e regiões menos assistidas.
O manifesto reforça ainda a necessidade de valorização dos funcionários, recomposição do quadro, combate ao assédio, salários justos e gestão responsável da saúde. "Defender os funcionários é defender o Banco do Brasil. Defender o papel público do BB é defender o desenvolvimento do Brasil", conclui o texto.
Fonte CONTRAF-CUT tags:» Contraf-CUT; SEEBF/PI; Banco do Brasil; Campanha Nacional; CEBB; ACTBB; Saúde Mental; Fetrafi/NE; Emprego; Cassi;
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